sexta-feira

amor liberta?


Engraçada a forma como a maioria das pessoas se tratam em seus relacionamentos: meu amor, minha namorada, minha mulher, meu casamento, meu isso, meu aquilo. Pessoas e sentimentos coisificados e tomados como posse, como propriedade.

Em seus primórdios, a monogamia tinha como função, ao homem, garantir que seus bens e propriedades pertenceriam sempre à sua casta. Arrisco até a dizer que a idéia de família e propriedade privada nasceram intrinsecamente juntas. Daí a coerência em pensar no parceiro amoroso/amante como propriedade.

Mas seria, o amor, apenas um sentimento que, de alguma maneira, serviria unicamente para concretizar uma finalidade econômica inconsciente? Por que sempre precisamos de exclusividade quando vivemos um relacionamento afetivo, assim como quando compramos uma roupa ou qualquer outra coisa pessoal e não gostamos de dividir com ninguém? Até onde vai o direito de privar o sentimento do outro e o nosso?

Por que não podemos amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

10 comentários:

Anônimo disse...

Epa! Podemos sim!! É só compreendermos os conceitos de "philos" e "eros" dos antigos gregos, para entendermos que além de natural, amar por amar é essencialmente bonito. É diferente da perversão do tarado, que mergulhado no conceito de pecado, reduz td a tesão e coito...
Enfim, o importante de tudo é a liberdade. Não do corpo apenas, mas sim da conciência.

Bjinho e bjinhos...

Jan disse...

como não podemos amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo???

eu amo as minhas duas xotinhas...rs

enfim, discussões q varam a noite...e um pouco mais...

bjinhos estalados

Anônimo disse...

Jujuba, em outros tempos me fiz esta pergunta; mas quando mais a fazemos é quando, no fundo, não estamos a dois, mas, sim, estamos sozinhas. Acho, sim, que o amor é uma construção, mas acho também que não é ele que nos da a vontade de posse: queremos que o outro nos pertença pq isso nos da a idéia de sermos unicos; é a paixão acima de tudo que nos faz egoistas e, melhor, vaidosos: como diz (Caetano?): "o ciume é so vaidade". Mas é tanta coisa para pensar sobre isso; ai ai!

Anônimo disse...

Barthes que era um romântico, mas também um devasso disse:

Encontro pela vida milhões de corpos. Desses milhões posso desejar centenas. Mas dessas centenas, amo apenas um.

Talvez seja isso. Ou não.

Beijo nas três.

Mulher Capacete disse...

Acho q de certa forma todos amam mais de uma pessoa ao mesmo tempo, mas ama-se de formas bem distintas, e nessa distinção cada um é único, mas quem entende isso se se sente ameaçado pq o amor q o outro tem compete com o amor q eu tenho?... e o amar vira rivalidade.
Concordo com a Milena qdo diz q a paixão é egoísta! Nouuussa, e é muuuito!!... A paixão não quer 'dar' ela quer 'tomar'!!... Tomar pra si td, o corpo, a alma, os bens, o tempo do outro, td, e com exclusividade!... hehehe
Agora, com relação à libertinagem, cada um é cada um, importante respeitar e aceitar sua própria natureza e a do outro, sem impor um comportamento que não lhe é próprio e não dissimular o q vc não é. Pra algumas pessoas, uma pessoa basta, naturalmente, pra outras, não, tão naturalmente qto... simples.

Ai carai, falei demais...

;**

Anônimo disse...

Acredito que podemos amar mais de uma pessoa sim, mas não igualmente, sempre vai existir aquela pessoa que você quer ficar mais tempo junto...
Não é justo você tratar a outra pessoa como propriedade, daqui a pouco vai ter gente andando de coleira pr aê ¬¬

bjoucssssss

Anônimo disse...

São questões de cunho cultural bem definido, na verdade o amor, em suas diversas concepções, pode muito bem ser encarado como uma convenção social que serve para regulamentar as relações interpessoias dentro de uma determinada sociedade. O amor ocidental, como o concebemos hoje, tem sua origem com a ascenção do cristianismo como ideologia predominante na construção das mentalidades dos diversos atores sociais responsáveis por estabelecer os "padrões aceitáveis" e "toleráveis" dos seus membros constituintes. Por originar-se de tal maneira acaba se revistindo com o peso de um dogma, e nós bem sabemos quão complexas são as barreiras que são estabelecidas como verdades incontestes.

Anônimo disse...

A Ju é minha amiga da faculdade, e também anarquista de boteco ahuahauhauhauha

Nós sempre concordamos em muitas coisas e discordamos em algumas... nisso eu concordo e não concordo ahahahaaha.

Concordo, porque o amor possessivo é destruidor da liberdade mesmo. Mas acredito que é possível viver a dois, mas com liberdade e individualidade respeitadas - depende da escolha de cada um. Se duas pessoas estão juntas e ambas concordam em não dar "exclusividade", sem que um engane o outro, ótimo! Se duas pessoas estão juntas e resolver ser "fiéis", de comum acordo, ótimo também! As duas coisas estão corretas.

Eu, por exemplo, não concordaria em socializar a esposa ahuahuahauha. Amo minha Mari, ela me ama, respeitamos os espaços e momentos particulares de cada um, e fizemos a opção de "ser um do outro", não como posse, mas como entrega livre. Não porque amamos, mas para melhor amar. Há pessoas que amam, e não são fiéis. Há pessoas que são fiéis, mas não amam. Uma coisa não depende totalmente da outra.

Nós (eu e a minha Mari) tivemos a sorte de encontrar alguém para amar, e que queira partilhar a vida juntos, só nós. É legal também!

Abraços
WASHINGTON wrmbonsucesso@hotmail.com

Anônimo disse...

e por quê ser fiel a alguém, e não a si próprio?
votos desse tipo, são uma traição a si mesmo (pq não sabemos oq ou quem vai nos acontecer amanhã).
e de voto, passa-se à culpa qndo se deseja além dos limites bestamente auto-impostos
é um "cuspir pra cima"..
assim como nasceu o sentimento, q se pensou "infinito" uma vez, pode nascer de novo. mesmo q tenha assinado o 'eu sou seu e vc é meu', e daí? sentimento nasce! completa o ciclo e morre. e tanto juras verbais como votos legais não impedem de nascer. e se nossa consciência em modo 'prisão consentida' dita, aborta.
.............parece bom pertencer?
rs. tá liberada jujuba! e por vc mesma

bejim

Anônimo disse...

Fico com a citação da Milena...
E... tá, sei que posso estar sendo do contra aqui, mas.. essa história de amor livre acaba vulgarizando o verdadeiro sentido desse sentimento...

Bjus Judite ;)

obs: seu texto ficou muito bom e rendeu vários comentários interessantes!